Decidi pela transição capilar

Olá meus amores!

Hoje quero falar com vocês sobre a decisão que tomei a respeito do meu cabelo. Pra ser bem sincera nem lembro como o meu cabelo é de verdade. Acho que eu tinha uns 8 ou 9 anos quando minha mãe me levou a uma cabeleireira para alisar meu cabelo.

Lembro que nesse salão algumas pessoas iam pra passar henê, e outras iam pra alisar os cabelos com objetos que eram aquecidos no fogo. E foi assim que começou a mudança na estrutura do meu cabelo. Era uma chapinha aquecida no fogo que deixava o meu cabelo bem lisinho. O que eu lembro hoje, ou melhor, o sentimento que trás essas lembranças, é o sentimento de vergonha. Era o que eu sentia pelos meus cabelos crespos. A sociedade dizia (e ainda diz) que o cabelo crespo era feio. Bonito era o cabelo alisado, com brilho, baixinho e “domado”.

Quando uma criança acredita que o seu cabelo é feio, ela passa a se sentir feia, a não se aceitar e o que acontece? A autoestima fica comprometida, passamos a negar como somos de verdade. Foi o que aconteceu comigo. Aos 12 anos comecei a usar henê  e continuei o alisamento do cabelo com chapinha e pente “quente”, muito usado até bem pouco tempo.

Sempre me senti muito preocupada com o cabelo. Se ele estava”perfeito”, alisado, com aparência bem cuidada. Quem me conhece bem, sabe dessa minha preocupação (neura) rsrsrsr… Essa não aceitação afeta negativamente a identidade da negra. A mulher ou homem, passa a construir uma imagem para ser aceita (o) e nega a sua verdadeira identidade. Constrói-se uma “aparência” para ser aceita na escola, no cursinho, para o namoradinho e assim vai. A gente acaba se perdendo nesse caminho.

Depois do henê passei para o relaxamento (guanidina), e isso já faz muito tempo. Há uns dois anos falei com a minha cabeleireira sobre mudar para o permanente afro, aí ela falou que os produtos não eram compatíveis e por isso eu deveria parar com o relaxamento. Pensei em todo o trabalho que seria ficar com o cabelo crespo e desisti.  Mais ou menos há uns 2 meses que venho pensando em parar com a guanidina. Mas sem ter ainda decidido, e pensando, pensando foi que nesse dia 10 de outubro relaxei o cabelo de novo. Quando chega à época de relaxar, a raiz fica bem volumosa  e me incomoda, uma vez que o restante do fio está liso.

Dias depois do relaxamento tomei a decisão de não fazê-lo mais. Cortei o cabelo no dia 16 de outubro e hoje ele está assim:

Por que essa decisão agora? Não aguento mais ver meu cabelo minguado, fraco e quebradiço. Como o cuidado e aparência do meu cabelo sempre foi uma preocupação, sempre faço massagens, mas mesmo assim ele não fica como eu gostaria, que é um cabelo saudável e com volume por igual. Pelo contrário, a química o deixa muito frágil.

A decisão está tomada, sei que não será fácil. Vou precisar de paciência e menos ansiedade para deixá-lo como de fato ele é, que na verdade nem eu sei como.

Vou fazer as hidratações e muita calma nessa hora. Mas nisso tudo o que eu penso ser mais importante do que parar com o alisamento, é assumir minha identidade e de fato como eu sou. Agora estou descobrindo isso. O preconceito não deixou de existir, ele está na mídia, nas ruas, velado ou não, continua presente nos dizendo que o cabelo crespo é “feio” e tentado colocar o negro num lugar que não é dele (dela), numa condição de menos valia e empobrecimento da alma.

Assim, resolvi sacudir a poeira do preconceito e me livrar da imposição do que é “belo”. Beleza cada um tem a sua. E eu vou em busca da minha.

Beijos e até o próximo post!



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3 pensamentos sobre “Decidi pela transição capilar

  1. Amanda Batista 5 de novembro de 2015 às 18:46 Reply

    Oiiie amor, te indiquei para uma tag, ❤ . Se já tiver respondido fique à vontade para ignorar. Beijinhooos
    https://garotasperigosas.wordpress.com/2015/11/05/tag-descobrindo-novos-blogs/

    Curtido por 1 pessoa

  2. Evelyn Portugal 7 de novembro de 2015 às 17:21 Reply

    Força nessa fase. Já estou na transição capilar a quase um ano e estou amando passar por essa experiência. Muitos irão falar que seu cabelo está feio, mas vc vai ver como é libertador não precisar ficar horas e horas sentada na cadeira fazendo o alisamento.
    Beijos!
    https://ihmudei.wordpress.com

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  3. Ana Paula Souza 8 de novembro de 2015 às 09:32 Reply

    Oi Evelyn! É pensando nessa liberdade que a cada dia me sinto mais animada. As pessoas falam mesmo, mas o que importa é nos sentirmos bem.
    Beijos!!

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